Graças a uma série de “atalhos mentais”, o cérebro humano é capaz de
economizar tempo e energia na hora de interpretar informações. Existe, porém, um
risco: ao pular etapas, podemos cair em ilusões e truques. A seguir, você
conhecerá 7 maneiras de aproveitar esse calcanhar-de-Aquiles (e algumas outras
limitações) do cérebro para “enganar” seus amigos.
7. Questão bíblica
Não é preciso ter ido a todas as aulas de catequese para responder a esta
pergunta: de acordo com a Bíblia, quantos animais de cada espécie Moisés colocou
na Arca? Se você respondeu “dois”, errou, porque quem colocou animais na Arca
foi Noé, não Moisés.
Muita gente se engana porque associa as palavras “animais”, “Bíblia” e “arca”
e dá uma resposta rápida, ainda que incorreta. Ao acessar automaticamente seus
conhecimentos sobre o Antigo Testamento, a pessoa mal percebe que Moisés não era
a figura em questão. Isso vale com várias outras frases, como “Qual a cor do
cavalo branco de Napoleão Bonaparte?”. A resposta já está na pergunta, mas
distraída pela mesma, a pessoa às vezes não percebe.
6. A mãe de Joana
A mãe de Joana tem quatro filhas: Lalá, Lelé, Lili e…?
Se você respondeu “Lolô” ou “Lulu” ou algum nome parecido com o das outras
irmãs, errou, porque não percebeu que a resposta correta está no começo da
frase: Joana.
Em nome da eficiência, nosso cérebro é condicionado a buscar padrões em toda
parte (no caso, as três primeiras filhas têm nomes com duas sílabas começando em
L e terminando em uma vogal). Como a resposta correta foge do padrão, não
pensamos nela de imediato – e, já que é aparentemente óbvia, não procuramos por
ela no início da pergunta.
5. Corretor automático

Veja a foto acima e diga o que há de errado nela. Nada? Engana-se: a palavra
“you” (“você”, em inglês) aparece duas vezes no cartaz, mas o seu cérebro não
presta atenção nela quando lê a frase pela primeira vez, porque não precisa dela
pra entender. Isso é reflexo de outro “atalho cerebral” que exclui informações
que parecem desnecessárias.
O cartaz possui a frase: “THINK YOU / YOU CAN’T BE FOOLED?”, que significa
“Pense você / Você não pode ser enganado?”, mas a primeira vez que lemos,
pensamos que o que está escrito na verdade é “Você acha que não pode ser
enganado?”, por isso o cartaz imediatamente tira sarro da nossa cara,
informando: “Você acabou de ser”.
4. Cegueira induzida
Se você assistir ao vídeo acima e focar no ponto vermelho, os pontos amarelos
vão simplesmente “sumir”, pois são interpretados pelo cérebro como pouco
importantes e como parte do fundo – algo similar a o que é citado no item acima,
mas visualmente.
3. Tempo de processamento
O experimento do atraso de flash (“flash lag”) mostra, de acordo com o
pesquisador Dean Buonomano, a “dificuldade em detectar com precisão o
posicionamento de um objeto durante outro evento”, explicada em parte pelo
intervalo entre o momento em que algo ocorreu e o momento em que nosso cérebro
processou esse acontecimento.
Clique
aqui para fazer o experimento. Aperte o botão “Start”, e siga
com os olhos a bolinha azul. Um flash vai
aparecer
no canto superior direito em algum momento. Em seguida, você deve escolher com o
cursor o ponto em que você acha que a bolinha estava quando surgiu o flash. Você
provavelmente vai pensar que o ponto está bem à frente (ou pelo menos um pouco à
frente) de onde ele realmente estava.
2. O ônibus

Veja o ônibus acima e responda rápido: pra que lado ele está indo? A resposta
correta é “para a esquerda”, porque a porta de um ônibus fica sempre do lado
direito, que não aparece na imagem (é como se a porta estivesse do “lado de lá”
do ônibus, de frente para quem está na calçada, não para nós, que estamos
olhando para o lado esquerdo do veículo). Se você anda de ônibus frequentemente,
talvez não tenha tido problemas para responder. Por outro lado, se faz tempo que
você não anda de ônibus, é possível que não tenha se lembrado desse detalhe –
por uma questão de eficiência, o cérebro deixa certas informações menos
acessíveis, para dar lugar a outras, mais recentes ou mais relevantes.
1. Dinheiro na mão
Mesmo que o faça com rapidez (cerca de 0,1 segundo), o cérebro precisa de um
tempo para processar o que você vê. Para testar isso, pegue uma moeda de um
real, chame um amigo e peça para ele ficar com a mão perto da moeda e com o
polegar e o indicador próximos; segure a moeda a poucos centímetros da mão dele
e o desafie a pegá-la apenas com os dois dedos, sem mexer a mão ou o braço,
assim que você largar. Ele não vai conseguir (a menos que seja por sorte),
porque até que o cérebro dele entenda que a moeda está caindo, ela já passou
pelos dedos dele.
Esse intervalo deve ser
levado em conta especialmente no trânsito, quando 0,1 segundo de distração pode
resultar em um acidente.[
LiveScience]